Cientify view

E se o dia
durasse 27 horas?

Toda a agronomia da luz discute quanta dar para a planta. Quase ninguém discute de quanto em quanto tempo, porque até pouco tempo atrás não havia com o que programar um dia que não durasse 24 horas. Esse espaço ficou sem explorar, e lá dentro pode haver um ganho que não custa nem um watt a mais.

Estamos rodando quatro salas para descobrir, com os mesmos clones nas quatro e as previsões publicadas antes do primeiro dado. Mais abaixo está o preprint, o paper sendo escrito enquanto o ensaio acontece. Uma parte do método ainda está aberta, e essa parte a gente quer escrever com você.

Ler o preprint → Como participar

De onde isto sai

Começou como
um boato de sala.

Faz mais de um ano que growers da rede rodam ciclos que não duram 24 horas, em salas que não se conhecem entre si, e voltam contando a mesma coisa. Isso não prova nada. É, exatamente, o tipo de coincidência que obriga a ir medir a sério.

CicloPeríodoO que se reporta
13/1326 hMais flor e mais resina que 12/12, com mais dias de calendário até a colheita.
13/1427 hTermina no mesmo calendário que 12/12, mais rápido que 13/13, e com mais sítios florais. É o que melhor se comporta.
15/1732 hDepende da genética. Na maioria, deformação para milhares de florzinhas e resina sem massa. Em algumas, floração normal e boa, sem acusar o regime.
16/1632 hFlores gigantes em algumas genéticas. Mesmo período que 15/17 mas com mais luz, e o resultado é oposto.

O detalhe que nos fez olhar duas vezes é que 13/14 usa menos luz que 12/12. Por dia de calendário são 11,56 h contra 12, uns 3,7% menos fótons, e ainda 3,7% mais horas de respiração no escuro. Se mesmo assim rende mais, o ganho não pode ser fotossíntese. Tem que ser o que a planta faz com o carbono que já fixou.

As genéticas não respondem igual, nem sequer na mesma direção

Nos períodos longos que rodamos antes, o que apareceu não foi um gradiente de resposta e sim três comportamentos distintos.

ComportamentoO que se viu e em quais
Respondem forteMAC2 e uma chamada Peluche fizeram flores gigantes em 16/16.
IndiferentesUma Lit e uma Jack Herer floresceram normal e bem sob 15/17, sem acusar o regime. Uma chamada P8 também não mudou de forma nem em 14/14 nem em 16/16, embora tenha ficado mais resinosa.
Se desordenamCherry Fire se desordenou em 16/16, e em 15/17 a maioria se deformou para milhares de florzinhas e resina sem massa.

O caso da P8 é o mais informativo dos três grupos, porque dissocia os dois eixos. Nessa genética a resina responde e a morfologia não. Isso diz que resina e forma não são a mesma resposta, e faz da P8 um controle natural. Nada disto está controlado. São observações de tandas anteriores sem braço pareado, e por isso vão aqui e não entre os resultados.

Isto é observacional

Nada do que está acima é controlado. São cultivos de gente diferente, em salas diferentes, com genéticas diferentes e sem braço de comparação pareado. Serve para decidir o que medir, não para afirmar nada.


A hipótese

Um pressuposto que
ninguém valida.

Todo o sistema de medição do tempo de uma planta se apoia numa constante que ela nunca verifica, porque ao longo de toda a sua história evolutiva se cumpriu sozinha. Essa constante é dia + noite = 24 horas.

Sob essa restrição, dia longo e noite longa são mutuamente excludentes. Você fixa um e o outro fica determinado, então há um único grau de liberdade. Um ciclo que não dura 24 horas rompe o acoplamento e te dá dois. Esse é o mecanismo inteiro. Você não acrescenta energia, acrescenta um parâmetro de controle que na natureza não existe.

E há um segundo eixo. O relógio circadiano de uma planta corre com um período próprio, τ, que não é exatamente 24 h. Quando o ciclo externo T se afasta de τ, os subsistemas que dependem do relógio (degradação de amido, abertura estomática, a janela de floração) deixam de coincidir com o ambiente real. Quando T se aproxima de τ, coincidem melhor do que sob um dia de 24 h.

A senescência suprimida

Nestes regimes algumas genéticas não entram em senescência. Continuam formando flor nova, e nos períodos mais longos há plantas que não terminam. É a observação que definiu o critério de corte deste ensaio.

A consequência prática é que a população de tricomas fica em mistura permanente. Flor nova com tricomas transparentes ao lado de flor velha com âmbar, ao mesmo tempo e o tempo todo. Um limiar de maturidade do tipo "70% nublados" ali não mede maturidade, mede a distribuição de idades da flor.

Nestes regimes a maturidade não existe como estado, então não dá para medir rendimento na maturidade, só rendimento numa data declarada. E se o ciclo longo suprime a senescência e a planta não para de produzir, isso é um terceiro candidato a explicar o rendimento, distinto da ressonância e da inanição de carbono.

As duas alavancas

Romper as 24 h não dá um botão, dá dois. Sob T=24 o dia e a noite são soma zero e há um único grau de liberdade. Fora das 24 h podem se mover separadamente, e a hipótese é que cada um empurra algo diferente.

A luz a mais faz massa, que é o direto. Mais fótons, mais carbono fixado, mais estrutura. A escuridão a mais faz resina, e aí o mecanismo candidato é o de Graf & Smith. Uma noite mais longa do que a que o programa de amido espera deixa a planta sem carbono antes do amanhecer, e essa inanição repetida é um sinal de estresse que empurra metabólitos secundários.

Os três regimes que vínhamos rodando encaixam nisso. 16/16 soma quatro horas de cada lado e dá flores enormes. 15/17 carrega no escuro e dá menos folha, cálices alongados e resina em toda a estrutura. 13/14 fica no meio e rende bem nas duas coisas. Se a dança é real, o fotoperíodo deixa de ser um ajuste e passa a ser uma direção. A pergunta por genética vira esta precisa de mais noite ou de mais dia?

Nossa hipótese, em uma linha

Que τ de Cannabis sativa está perto de 27 h, e que por isso um ciclo de 13/14 rende mais que um de 12/12 com menos luz.

O período endógeno de cannabis não aparece na literatura que revisamos. Se o dado existe, escreva pelo formulário do rodapé e a página é corrigida com a citação.


O que está publicado

Metade disto já
está na literatura.

Não estamos propondo um mecanismo novo. A ressonância circadiana é estudada desde os anos 70 e há trabalho recente que a leva ao cultivo comercial. O que não encontramos é alguém que a tenha rodado sobre um cultivo floral, medindo flor e metabólitos secundários em vez de biomassa de folha.

Anton-Sales, C., Benckhuysen, L., Peker, B., Jeuken, M. & Bonnema, G. (2026). Matching circadian rhythms to light–dark cycles increases lettuce yield by 29% in vertical farms without additional energy input. Journal of Experimental Botany.
10.1093/jxb/erag222 ↗

O que aporta. Rodaram T27 contra T24 em alface. A maioria das acessões cultivadas tem relógio de cerca de 27 h, e as variedades de relógio longo sob o ciclo ressonante de 27 h ganharam entre 11 e 29% de biomassa, com DLI idêntico (14,4 mol m⁻² d⁻¹) em todos os tratamentos. O mecanismo foi alongar a escuridão, não acrescentar luz.

O que não aporta. A alface é cultivo de folha. Mediram biomassa vegetativa, sem flor e sem metabólitos secundários.

Dodd, A. N., Salathia, N., Hall, A., Kévei, E., Tóth, R., Nagy, F., Hibberd, J. M., Millar, A. J. & Webb, A. A. R. (2005). Plant circadian clocks increase photosynthesis, growth, survival, and competitive advantage. Science, 309(5734), 630–633.
10.1126/science.1115581 ↗

O que aporta. É o resultado fundacional. Usando mutantes de período em Arabidopsis sob T20, T24 e T28, mostraram que as plantas com o relógio emparelhado ao ciclo externo têm mais clorofila, fixam mais carbono, crescem mais rápido e sobrevivem melhor. A vantagem vem da coincidência, não da quantidade de luz.

O que não aporta. Arabidopsis em câmara, com o foco no relógio e não no rendimento de um cultivo.

Graf, A., Schlereth, A., Stitt, M. & Smith, A. M. (2010). Circadian control of carbohydrate availability for growth in Arabidopsis plants at night. PNAS, 107(20), 9458–9463.
10.1073/pnas.0914299107 ↗

O que aporta. É o mecanismo do segundo eixo. A planta degrada o amido da folha a taxa linear, calibrada para se esgotar justo ao amanhecer, e o timer é posto pelo relógio interno, não pelo ambiente. Em dias anormais de 28 h ou 17 h o amido se esgotou umas 24 h depois do último amanhecer, sem importar o amanhecer real. Ou seja, num ciclo longo a planta fica sem carbono antes de a luz voltar, em todos os ciclos.

O que não aporta. Não mediram o que essa inanição repetida faz com a alocação reprodutiva. É onde suspeitamos que está a resina, sem evidência ainda.

Pittendrigh, C. S. & Minis, D. H. (1972). Circadian systems: longevity as a function of circadian resonance in Drosophila melanogaster. PNAS, 69(6), 1537–1539.
10.1073/pnas.69.6.1537 ↗

O que aporta. É a origem da ideia de ressonância, de que a aptidão do organismo é máxima quando o período externo coincide com o endógeno. É de moscas, não de plantas, mas é o marco de onde sai todo o resto.

Vitor, E. I. (2025). The Supercycle Hypothesis — Foundations of Chronobotánica and Temporal Morphogenesis in Plants. Zenodo, versión beta8.
10.5281/zenodo.16763824 ↗

O que aporta. É o antecedente próprio desta hipótese. Descreve e nomeia o fenótipo Zombie um ano antes deste ensaio, sobre um exemplar que continuou produzindo tecido floral rudimentar 201 dias depois do início da floração, sem senescer. E traz a única comparação limpa do documento, que é intra-planta. Os ramos altos a 450 PPFD deram inflorescências necróticas e malformadas, e os baixos a 250 PPFD conservaram tecido vivo, com o mesmo fotoperíodo e a mesma genética. Também documenta anomalias em Fragaria co-cultivada sob 15/15, com receptáculos lobulados, restos florais fundidos ao fruto e aquênios mal posicionados. E anuncia, na sua introdução, o ensaio 12/12 contra 13/14 com clones idênticos que começa agora.

O que não aporta. Não tem controle. O próprio texto argumenta que o desvio fenotípico é tão grande que não faz falta um 12/12 ao lado, e essa decisão converte tudo o que segue em descrição e não em evidência. Havia uma coorte de 12/12 e 13/13 em outra câmara que ficou sem documentar. Além disso fala de reprogramação da expressão gênica sem dados de expressão, e de morfologias cronomutadas sem genotipagem. O exemplar Zombie passou por ciclos encadeados de 14/14 e depois 15/15, então o efeito não pode ser atribuído a nenhum dos dois. Este ensaio é o controle que faltou àquele trabalho.


O que a contradiz

O trabalho que
não nos respalda.

Há trabalho recente que questiona a lógica de ressonância.

(2025). Non-natural day length does not negatively affect lettuce growth as a result of acclimated carbohydrate rhythms. Scientia Horticulturae.
ScienceDirect · S0304423825003401 ↗

O que diz. Cultivaram duas variedades de alface com períodos de 20, 22, 24, 26 e 28 h e encontraram que o crescimento e a morfologia não foram afetados. Os carboidratos não estruturais mostraram ritmos de acordo com o dia aplicado, o que sugere aclimatação do relógio, e portanto que a ressonância não faria falta.

Por que achamos que não se aplica ao nosso regime. Esse ensaio usou noites de 2, 4 e 6 horas, praticamente luz contínua. Com noites tão curtas, a dinâmica de amido que Graf & Smith descrevem não chega a entrar em jogo, porque não há noite suficiente na qual ficar sem carbono. Nosso regime tem noites de 13 a 17 h. Achamos que são experimentos diferentes e não resultados contraditórios, mas é uma interpretação nossa e não algo que o paper afirme.

A objeção principal, dita por inteiro

A posição ortodoxa é que não há razão em fisiologia vegetal para que 13/13 renda mais que 12/12. Lida como proporção luz sobre escuridão, está correta. As duas são 50/50, e dentro de um dia de 24 h um ciclo de 13/13 nem sequer é um input possível. Não é a afirmação deste ensaio.

O que propomos não é que 13 h de luz ganhem de 12 h de luz. É que T=27 ganha de T=24. A variável não é a proporção, é o período. Essa pergunta não pertence ao fotoperiodismo e sim à cronobiologia, e ali a literatura acima tem algo a dizer.


Pré-registro · publicado em 16 de agosto de 2026

O ensaio,
declarado antes.

A montagem é na segunda-feira 17 de agosto de 2026 e o flip para flora dia 1 é na quinta-feira 20. O que segue é publicado antes das duas datas e sem dados tomados.

Começou, e não na data declarada

O flip para flora dia 1 foi na terça-feira 1º de setembro de 2026, doze dias depois da quinta-feira 20 de agosto que o parágrafo acima declara. A montagem foi sim no dia 17 de agosto; o que se moveu foi o flip, pelo tempo que levou deixar os quatro cubículos parelhos. Esse parágrafo fica como foi publicado, porque é a declaração prévia e editá-la seria justamente o que esta página promete não fazer.

O corte, que é o dia 70 desde o flip, cai agora na segunda-feira 9 de novembro de 2026. Os quatro braços se cortam nesse dia.

Dá para olhar os quatro braços. O timelapse do ensaio monta um quadro a cada cinco minutos com as quatro telas lado a lado, desde o dia 1.

BraçoPeríodo TDistância a τ≈27 hO que a hipótese prevê
12/1224 h−3 hO controle. Fora de ressonância.
13/1326 h−1 hPerto do ótimo, apenas abaixo.
13/1427 h0Ótimo previsto. Máximo rendimento por planta.
14/1428 h+1 hO braço de falseamento. Tem que render menos que 13/14.

O braço de 14/14 é o que separa as duas explicações possíveis. Se o rendimento sobe até 27 h e cai em 28 h, a curva tem um pico e isso é ressonância. Se continua subindo em 28 h, a explicação é que mais escuridão rende mais e a ressonância fica descartada. Sem esse braço as duas são indistinguíveis.

As previsões

Curva em U invertido. O rendimento por planta ordena 13/14 > 13/13 > 14/14 > 12/12, com máximo em T=27 h e queda dos dois lados.

13/14 ganha com menos luz. Vai acumular 3,7% menos horas de luz por dia de calendário que 12/12 e ainda assim vai render mais peso seco.

A direção se repete em todas as genéticas. Cada genética é um bloco independente. Se o efeito é real, o sinal tem que ser o mesmo em todas, não uma média que sai de uma só.

Calendário parelho. 13/14 termina num calendário comparável ao de 12/12, apesar de ter menos ciclos.

Mais escuridão, mais resina. 13/14 vai dar mais resina que 13/13 com massa comparável. As duas compartilham as mesmas 13 h de luz e diferem em uma hora de escuridão.

Sobre a ordem interna da previsão 1. Os braços 13/13 e 14/14 estão ambos a uma hora de τ=27 e ambos entregam 12 h de luz por dia de calendário, então nem a ressonância nem as duas alavancas preveem qual vem primeiro. O que a previsão 1 põe à prova é a posição do máximo e a queda dos dois lados, não esse trecho da ordem.


Os limites

O que este ensaio
não pode provar.

Limitações conhecidas do desenho, e o que cada uma implica para a leitura dos resultados.

LimiteO que significa
Uma planta por célulaHá uma única planta por genética e por braço. O que sustenta a comparação é que o clone é o mesmo nos quatro braços e que a genética funciona como bloco, então a unidade de réplica é o genótipo e não a planta. Com poucas genéticas o poder estatístico é baixo.
Cubículo confundido com braçoNão dá para rodar dois fotoperíodos no mesmo espaço, então cada cubículo é um braço. Qualquer diferença entre cubículos, seja intensidade, temperatura ou fluxo de ar, é indistinguível do efeito do período. Mitigamos medindo e publicando o ambiente de cada um, e rotacionando os braços entre cubículos nas tandas seguintes.
Sem τ medidoNão medimos o período endógeno das plantas. Que o ótimo caia em 27 h seria evidência indireta de que τ≈27 h em cannabis, não uma medição de τ.
Não dizemos mutaçõesEm ciclos muito longos aparecem fenótipos aberrantes. Sem genotipagem isso é uma anomalia do desenvolvimento, não uma mutação.
Um só sítioUm ensaio, uma sala, um operador. A réplica independente não podemos aportar nós, por desenho.
A fertirrigação covaria com o períodoA rega vai atada ao ciclo, então no mesmo calendário os braços de período longo recebem menos regas. Sobre os 70 dias do ensaio são 70 regas para 12/12 e 62 para 13/14, uns 11% menos de água e de nutriente. É deliberado, porque o ciclo é o tratamento e tudo se indexa a ele, de modo que a única variável manipulada é quanto dura. Mas significa que um resultado a favor de 13/14 não pode ser atribuído ao fotoperíodo sozinho. São reportados os totais absolutos por braço.
O controle pode passar do pontoNo dia 70, uma genética de ±63 d em 12/12 pode estar passada do pico, enquanto nos braços de período longo a senescência suprimida evita isso. Não toca o peso seco, que estabiliza, mas poderia favorecer levemente os superciclos nas variáveis de qualidade.
Sem luz medida em unidades absolutasSem sensor de PAR, o DLI absoluto deste ensaio é desconhecido. A comparação entre braços se apoia em que as quatro luminárias sejam equivalentes, e isso se confere com lux e não com um instrumento calibrado. Se uma luminária tivesse muito mais horas de uso que outra, sua saída seria menor e não se detectaria com precisão. É a limitação principal da montagem.
13/14 move duas variáveis de uma vezOs outros três braços são simétricos, com 50% de luz. 13/14 tem 48,1%. Então ao compará-lo com 13/13 mudam duas coisas juntas, o período de 26 para 27 h e a proporção de luz. Se 13/14 ganhar, a ressonância explica como aproximação a τ e a dança como a hora extra de escuridão, e este ensaio não as separa. Dizemos agora e não quando os números estiverem prontos.

Para que serve a próxima tanda

O corte entre as duas explicações é 13/14 contra 14/13. Mesmo período de 27 h, proporção de luz invertida. Se só importa o período, os dois rendem igual. Se as alavancas são separadas, diferem, e para onde diferem diz qual manda.

Essa comparação não entra nesta tanda porque há quatro cubículos e já estão atribuídos. Entra na seguinte, dentro de uns três meses, e seu desenho depende do que sair aqui. Se 12/12 e 13/14 empatarem, não há nada a separar e a pergunta muda.

A rede já está rodando isto

Em 16 de agosto de 2026 há 113 zonas ativas na rede rodando 13/13 e 22 rodando 13/14, contra 132 em 12/12. Não é uma população que precise ser construída, já existe.

O ensaio controlado e a rede se complementam e não se substituem. O ensaio busca causalidade num sítio, com braços pareados sobre o mesmo clone. A rede mostra se o efeito sobrevive fora da nossa sala. Nenhum dos dois basta sozinho.

Os resultados são publicados nesta mesma página quando o ensaio fechar, digam o que disserem, com o registro de mudanças embaixo. Enquanto isso, a seção de relatórios tem o que a rede já mediu.


Como se entra

Um ensaio em uma sala
não prova nada.

O que transforma isso em evidência é que se repita em salas que não controlamos, com genéticas que não escolhemos e por gente que não nos deve nada. Há quatro maneiras de entrar e nenhuma pede permissão.

Rode um braço

O protocolo inteiro está publicado em o preprint, com o material, o procedimento e as exclusões. Basta ter dois espaços e um clone repetido nos dois. Um ciclo de 27 horas não cabe em um timer de cultivo comum, e essa é provavelmente a razão pela qual este território ficou sem ser percorrido.

Quebre o método

A seção de análise está aberta de propósito e datada. Se você vê um problema em como pensamos medir isso, a hora de dizer é agora, antes que haja um único peso em cima da balança. Depois não vale mais.

Traga seus dados

Se você já vem rodando 13/13 ou 13/14, seus números entram como observação de rede. Não substituem um ensaio controlado e o tornam muito mais difícil de ignorar.

Assine o preprint

Quem contribuir com método que entre no documento, ou rodar uma réplica com sua sala e suas genéticas, aparece como colaborador quando isso for publicado. A lista se fecha no dia em que saem os resultados.

Escreva pelo formulário do rodapé desta página. Conte para a gente o que você vai rodar, ou o que está errado no que nós vamos rodar.


O paper, enquanto acontece

O preprint
se escreve aqui.

Um preprint é o paper antes da revisão, publicado para que o leiam e o quebrem enquanto ainda dá para corrigir. Este está pela metade de propósito. O que já não se toca está marcado como fechado. Onde diz aberto é onde falta decidir, e é aí que entra qualquer um que queira se meter.

Preprint · em construção

Ressonância circadiana em Cannabis sativa. Rendimento, morfologia e resina sob quatro períodos com clones pareados.

E. I. Vitor · Equipe Supercannabis · rede Supercycler · e quem se somar

Versão 0.3 de 2 de setembro de 2026 · pré-registro publicado em 16 de agosto de 2026 · resultados previstos para novembro de 2026 · uso livre para fins pessoais e de pesquisa

Resumo

Um ciclo de luz e escuridão que não soma 24 horas quebra o acoplamento entre o dia e a noite, e deixa duas variáveis onde antes havia uma só. Este ensaio põe à prova que o período endógeno de Cannabis sativa esteja perto das 27 horas e que, por isso, um ciclo de 13 horas de luz e 14 de escuridão renda mais que um de 12 e 12 recebendo menos luz total. Quatro espaços rodam em paralelo períodos de 24, 26, 27 e 28 horas, com quatro genéticas clonadas e repetidas em cada um, e um vaso de crisântemos por espaço como segunda espécie. O resultado principal é o peso seco de flor por planta no dia 70 desde o flip, com corte simultâneo nos quatro. As previsões foram publicadas antes da montagem e não se editam. O braço de 28 horas está aí para que a gente possa errar em público.

Palavras-chave. Cronobiologia vegetal, ressonância circadiana, período T, fotoperíodo, Cannabis sativa, supercycle, pré-registro, ciência aberta.

1. De onde vem fechado

A ressonância circadiana está descrita desde 1972 em moscas e desde 2005 em plantas, e em 2026 chegou à produção em alface, com 29% mais biomassa sem acrescentar um fóton. O que não encontramos publicado é alguém que a tenha rodado sobre um cultivo floral, medindo flor e metabólitos secundários em vez de folha.

Do lado da prática, há mais de cem salas na rede rodando ciclos de 26 e 27 horas e relatando o mesmo padrão. Nada disso está controlado. Este ensaio existe para colocar um controle do lado.

2. Hipótese e previsões fechado

Que o período próprio do relógio de Cannabis sativa esteja perto das 27 horas, e que um ciclo externo dessa duração combine melhor com a maquinaria interna da planta do que o dia de 24 horas ao qual a submetemos por costume.

As cinco previsões foram publicadas com data de 16 de agosto de 2026, antes da montagem e sem nenhum dado coletado, e estão completas mais acima nesta mesma página. Não se editam nunca, nem para corrigir uma vírgula. Se o dado as quebrar, elas se publicam quebradas.

3. Material fechado

Quatro genéticas, uma planta de cada uma em cada braço, e o mesmo clone nos quatro. A genética funciona como bloco, então a unidade de réplica é o genótipo.

GenéticaFloração declaradaProcedência e notas
Sweet 16
Lit Farms
±63 dProject 4516 × Grandi Candy, mostly indica. Ficha do breeder no SeedFinder. É a única das três com tempo publicado e verificado.
Lemon Cherry Fire F2
Tiki Seeds
sem publicar(Lemon Cherry Gelato × Zerbert) F2. O breeder publica linhagem mas não tempo de floração. Lemon Cherry Gelato fica entre 56 e 65 dias conforme o banco; por ser F2 segrega, então esperamos dispersão real entre plantas e não um número.
SC-G01
n.n.
desconhecidaPlanta de aspecto índico, nomen nescio. Clone doado, recebido como “Mack #2”, linhagem não verificada. Consta por código de acesso e não pelo nome recebido, que não está comprovado.
Hell-echo
Berryfreak × Freakshow
sem publicarBerryfreak × Freakshow. O breeder publica linhagem mas não tempo de floração. Freakshow é a que traz a folha atípica, então esta genética já tem uma morfologia estranha antes de mexermos no fotoperíodo. Aqui se olha o rendimento e a resina, e o formato da folha não conta como efeito do regime.
Uma segunda espécie, um contêiner por braço

Em cada um dos quatro cubículos há também um contêiner de crisântemos, um por regime. O crisântemo é a outra planta de dia curto de manual, com floração fotoperiódica descrita há décadas, então é a forma mais barata de perguntar se isto é do fotoperíodo ou da espécie que vínhamos olhando.

Não entra no endpoint primário nem em nenhuma previsão. É uma observação declarada, sem réplica dentro de cada braço. Registram-se data do botão floral, data de abertura e aspecto, com foto. Se a ordem entre braços se parecer com a de cima é uma pista para o próximo ensaio; se não se parecer, não refuta nada do que está previsto aqui.

4. Procedimento fechado

O critério de corte, a secagem e as exclusões

Os quatro braços se cortam no mesmo dia de calendário, no dia 70 desde o flip. Não há critério de maturidade por planta, porque nestes regimes a maturidade não existe como estado. O dia 70 sai da floração da mais lenta conhecida (Sweet 16, ±63 d) mais margem para uma F2 que segrega e para uma genética de tempo desconhecido. O peso seco estabiliza e não cai, então essa margem não afeta o endpoint primário.

Com uma só data para os quatro, os braços de período longo não recebem dias extras e a curva da previsão 1 fica comparável. Com uma regra de corte diferente por braço deixaria de ser.

A secagem. Geladeira de vinhos a 14 °C e 65% de umidade relativa, todas as plantas no mesmo espaço. Cada uma é pesada quando o medidor de umidade de flores marca 12%, com o mesmo medidor e a mesma balança, de 0,1 g de resolução. Cada leitura é registrada. Um ponto de umidade e não dias fixos, porque tira da equação quanta água cada planta trazia.

As exclusões. Uma planta que hermafrodite ou morra é excluída do endpoint primário e reportada com seu braço, sua genética e o dia. Não é substituída. Se os eventos se concentram num braço, isso é um resultado daquele braço.

O que medimos
O quêComo
Endpoint primárioPeso seco de flor por planta. Escolhido de antemão. O peso úmido não é usado para concluir nada.
LuzO DLI absoluto não é medido e não é afirmado. Não temos sensor de PAR. O que fica determinado é a razão de luz entre braços, porque as quatro luminárias são o mesmo modelo, na mesma potência, na mesma altura e sobre a mesma superfície, e com luminárias iguais, a razão de DLI é a razão de horas. As horas efetivamente executadas são verificadas contra o registro de ações de luz, que guarda o esperado e o confirmado de cada transição, então são as horas que ocorreram e não as do horário. A paridade entre cubículos é controlada com uma leitura de lux num ponto fixo de cada um, na montagem e no corte. Com espectro idêntico, a razão de lux é a razão de PPFD.
AmbienteTemperatura, umidade e VPD registrados de forma contínua pelo Supercycler com sensores Tuya, por cubículo, durante todo o ensaio.
MorfologiaFotos com escala no quadro e mapeamento de crescimento com as câmeras Eyes. Sítios florais, comprimento de cálice e estigmas por flor.
CalendárioDias do flip até o corte, fixados de antemão em 70 para os quatro braços.
DesenhoBlocos por genética. O mesmo clone entra nos quatro braços. Um cubículo por braço, quatro plantas por cubículo, uma de cada genética, mais um contêiner de crisântemos por braço que fica fora do endpoint primário.
Sala e luzQuatro indoor de 1×1 m, 300 W Sylvania cada um, comutados por Shelly a partir do Supercycler. A aderência real do horário é verificada contra o registro de ações de luz, que guarda o esperado e o confirmado de cada transição.
Rega e substratoGotejamento Hunter, dois bicos de 2 L/h por vaso, vasos de 10 L com substrato Growers Supersoil. A rega vai atada ao ciclo, mesma quantidade e mesma hora relativa. São reportados os contagens e volumes reais por braço, medidos e não estimados.
FertilizaçãoEsquema de floração curta, com a etapa indexada ao ciclo e não ao calendário, como todo o resto.
QuímicaSérie de THC e CBD com Purpl Pro desde a semana declarada, tomada como tendência relativa e não como potência absoluta, porque o método é NIR e está validado sobre amostra seca e moída. O número que se publica sai do laboratório do CONICET. As amostras são pré-declaradas agora, terço superior do cogumelo apical, mesma massa, uma planta por genética por braço, tomadas no corte.

5. Análise planejada aberto

Aqui é onde o documento está incompleto, e preferimos dizer isso a disfarçar. Há uma planta por genética e por braço, então não existe média com seu teste de diferença de médias que valha. O que sustenta a comparação é que a genética funciona como bloco e que o clone é o mesmo nos quatro espaços.

O que temos pensado é olhar a ordem dos quatro braços dentro de cada genética. Com quatro braços há vinte e quatro ordenamentos possíveis e só um é o que a hipótese prevê, então a probabilidade de acertar por acaso nas quatro genéticas ao mesmo tempo se calcula exato e é pequena. É um teste de permutação de tamanho mínimo. Sabemos que é discutível, e por isso está aqui e não em uma nota de rodapé.

  1. A estatística é a ordem dos quatro braços, a distância entre o melhor e o controle, ou o ajuste de uma curva com máximo?
  2. Analisa-se o peso seco cru ou normalizado dentro de cada genética, e nesse caso contra o que se normaliza?
  3. Como entra o crisântemo, se é que entra, ou fica só como observação com foto?

As três se respondem antes que haja um único peso seco em cima da balança. Escolher a análise depois de ver os dados é a forma mais comum e mais elegante de convencer a si mesmo, e a data desta seção é a única prova de que não fizemos isso.

Isso se decide com quem quiser. Se você trabalha com delineamentos em blocos, ou se dedica a isso, escreva para a gente pelo formulário do rodapé. O que for acordado entra no documento com data e com nome.

6. O que contaria como refutação fechado

Que 14/14 iguale ou supere 13/14 em peso seco. Isso quebra o pico, e com o pico cai a explicação por ressonância.

Que a direção do efeito não seja consistente entre genéticas. Se uma sobe e outra desce, o que temos é ruído e não um efeito.

Que 12/12 empate com 13/14 em peso seco. Sem diferença não há nada a explicar.

Os resultados são publicados nesta página nos três casos.

7. Autoria e estado do documento

A lista de autores não está fechada. Quem contribuir com método que entre no documento, ou rodar uma réplica declarada com sua sala e suas genéticas, aparece como colaborador no dia em que isso for publicado. Não é preciso pedir permissão para começar, é preciso avisar.

Este documento muda. Cada versão fica anotada no registro de mudanças no fim da página, com a data e com o que dizia antes à vista.


Correções

Registro de mudanças.

Toda correção posterior à publicação é anotada aqui, com data e com o que dizia antes à vista. As previsões do pré-registro não são editadas nunca.

DataO que mudou
2 set 2026Reescreve-se a página para que dê para ler de uma vez e publica-se o preprint, que leva dentro o material, o procedimento e os critérios de refutação. A seção de análise planejada é publicada aberta, sem dados coletados, para discuti-la antes do corte. Soma-se a seção sobre como participar. Nenhuma previsão foi modificada, a tabela de braços tampouco, e o parágrafo da declaração prévia segue palavra por palavra como foi publicado em 16 de agosto.
2 set 2026O ensaio começou. O flip para flora dia 1 foi em 1º de setembro e não no dia 20 de agosto declarado. O parágrafo do pré-registro fica como estava e a data real é anotada aqui e no bloco de estado. Confirmam-se as genéticas e entra uma quarta, Hell-echo (Berryfreak × Freakshow), com uma planta por braço, então são quatro plantas por cubículo. Soma-se um contêiner de crisântemos por braço, fora do endpoint primário. Nenhuma previsão foi modificada.
17 ago 2026Somam-se as observações prévias por genética e a linha de 16/16, corrige-se a descrição de 15/17 —que não foi uniforme— e esclarece-se qual trecho da ordem da previsão 1 está realmente sob teste. Corrigem-se três erros de fato. A conta de regas usava 60 dias em vez dos 70 do ensaio, a previsão 2 dizia 4% onde o resto da página diz 3,7%, e uma conjugação errada. Nenhuma previsão foi modificada.
17 ago 2026Corrige-se a previsão 5, que afirmava que o par 13/13 contra 13/14 isola a alavanca da escuridão. Não isola, porque esse par é também o passo de 26 para 27 h. Mantém-se a previsão empírica e acrescenta-se o limite correspondente. O desenho do ensaio não foi modificado e não há dados tomados.
16 ago 2026Soma-se o antecedente próprio (Zenodo 2025) às referências, a seção das duas alavancas e a previsão 5, tudo antes do flip e sem dados tomados. As previsões 1 a 4 não foram modificadas.
16 ago 2026Protocolo completado, ainda antes do flip, com genéticas, dia de corte, secagem, exclusões e a seção de senescência suprimida. O dia de corte foi fixado em 70 e não em 63 ao confirmar as florações declaradas; nenhuma previsão foi modificada.
16 ago 2026Publicação inicial. A montagem do ensaio é no dia 17 e o flip para flora dia 1 no dia 20. Ao publicar isto não há nenhum dado tomado.